Idosos no Reino de Deus

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Idosos acolhidos pelo poder transformador do Reino de Deus

Erich Luiz Leidner, capelão da Sociedade Batista de Beneficência Tabea e Faculdade Batista Pioneira 

Existe um paradoxo marcante no mundo. De um lado, há avan- ços extraordinários na ciência, em pesquisas, incluindo a exploração do universo, com descobertas que podem ser consideradas fantásticas. Na medicina, constantemente são descobertos novos medicamentos e novas formas de diagnosticar doenças e a cura das mesmas. Na comunicação, é deslumbrante a velocidade com que as informações chegam de um lado a outro do globo terrestre, com imagens e sons. 

A despeito disto, de outro lado, nas relações humanas, existem muitas lacunas a serem preenchidas. Ainda que todas as tecnologias de comunicação, mídias e programas de redes sociais, estejam à disposição da maioria, as pessoas encontram-se sozinhas. Famílias desfeitas, divórcios, crianças abandonadas em todas as camadas sociais, adolescentes e jovens deixados a seu bel prazer, e o mais triste, os idosos sem amparo, são alguns exemplos desta realidade. 

Ainda que existam leis, conselhos municipais e outros órgãos, tanto públicos como privados, as necessidades não são supridas a contento. Muitas vezes não conseguem levar a alcançar o que é o básico para uma vida digna na velhice. O Brasil tem em torno de 15 milhões de idosos. Cerca de um terço deste contingente continua no mercado de trabalho, a sua maioria pela extrema necessidade para a sobrevivência, dele próprio e de seus familiares. 

No contexto da Igreja, esse quadro também é refletido, com algumas nuances. Há idosos nas Igrejas e famílias nas Igrejas que estão com idosos em seus lares ou sob sua responsabilidade. A Palavra de Deus afirma em Provérbios 20.29: “O orgulho dos jovens é a força, e a beleza dos idosos são os cabelos brancos.” De fato os mais novos têm a força e energia, além da disposição para realizar, se dispõe a agir e trabalhar, buscam alcançar novas metas, com metas e alvos muitos louvá- veis. Ao mesmo tempo, existe um outro grupo, do qual por vezes se passa de largo, mas são justamente as pessoas deste grupo que poderia, com sua experiência e sabedoria, auxiliar na condução de vá- rios processos. Aqueles que se destacam pela coloração de seus cabelos, que indica vivência e anos acumulados de prática. 

A Igreja tem a oportunidade de reagir a situações de exclusão de idosos de forma muito positiva, quando observar alguns princípios básicos. Em agindo assim auxiliará os próprios idosos, suas famílias, a Igreja em si, bem como dando à sociedade uma visão de como poder tratar esta questão tão importante. 

Primeiramente, é imprescindível que a Igreja, ao cumprir o Ide de Cristo, tenha em mente também alcançar as pessoas idosas para o Evangelho. Levar uma pessoa que já viveu a maioria de seus dias a Cristo, é uma experiência extremamente singular. É levar esperança a alguém que passou pela vida sem ter a certeza do que virá após a morte. Quantas famílias da Igreja têm idosos ainda não salvos por Jesus? Envidar esforços para ganhá-los para Jesus é tarefa conjunta das famílias e da Igreja. 

É de suma importância trabalhar com as famílias da Igreja, preparando-as para conviver e lidar com aqueles que vão envelhecendo em seu meio. É muito comum, por exemplo, que avós tomem conta de netos, enquanto os pais destes estão no trabalho, em viagens, ou outras situações. Atitude muito louvável quando acordado em paz e para benefício de todos. Na medida que o tempo passa, os netos cresceram e os avós envelheceram, chegando novos desafios. Estes é que passam a ter a necessidade de receberem cuidados. A questão é se as famílias estão preparadas para ter em seu meio alguém que apresenta limitações as mais diversas. Locomoção, visão, deglutição, sem contar a possibilidade de enfermidades como Alzheimer, Parkinson, as quais aparecem sem avisar e nem haver preparo prévio. A comunidade cristã tem uma oportunidade ímpar de auxiliar e preparar as famílias para esta tão desafiadora fase da vida, tornando as famílias um lugar acolhedor. 

A parte que deve ser considerada com muita atenção com relação ao envelhecimento é quando o idoso percebe ou sente que não tem mais valor. A sua experiência, tanto de vida como espiritual, é pouco valorizada. Em parte isto é cultural em nossa sociedade. A igreja, porém, poderá contribuir muito para a mudança de pensamento, envolvendo primeiramente os seus idosos, e indo além, buscando conversar com eles, realizando visitações, consultando-os em momentos de decisões. A Bíblia valoriza esta atitude, reconhecendo nos “anciãos” a fonte de sabedoria. 

Alcançar a pessoa como um todo, inclusive o idoso, e torná-lo parte integrante da Igreja, é a missão da mesma.


http://www.batistas.com/OJB_PDF/2016/OJB_18.pdf