Após um divórcio


 23 de novembro de 2015
vida divorcio
“Um dos fatores mais óbvios e mais difíceis de digerir sobre separação é que ela dói. Dói e dói muito. Dói tanto que muitas vezes se tenta esquivar de sentir a dor que provoca”, afirma Esly Regina Carvalho, autora do livro Quando o vínculo se rompe (Editora Ultimato).

Estudos mostram que o fator divórcio está em segundo lugar em nível de estresse na vida das pessoas. Diariamente pessoas estão se divorciando.
Muitas vezes nossas igreja só abordam o tema divórcio para mostrar o que a Bíblia diz sobre o assunto. Mas se esquecem que a realidade é que muitos estão sofrendo e muitas vezes não são ministrados. O tema abordado neste bimestre, longe de ser uma apologia ao divórcio é, antes de mais nada, um instrumento, ou pretende ser, de cura. Um veículo de graça e apoio aos que passam pela dor da separação.
Se você está passando por essa experiência o primeiro passo é não ignorar a dor que o divórcio provoca. “Viva a sua dor. Não tente esconder e guardar sua dor e revolta, nem fingir que ela não existe.
Permita-se viver a dor. Depois, é necessário exteriorizar, por para fora os sentimentos de frustração, dor, revolta, mágoa, tristeza; tudo isso, quando guardado ou negado, demora muito mais para passar e pode levar à depressão. É preciso “trabalhar” essa perda. Isso leva muito tempo e é perfeitamente normal, mas quando se extravasa esse sofrimento, um dia para de doer. Mesmo quando o divórcio aconteceu de comum acordo, houve a perda da identidade de casado/a, do papel de esposo/a, do status social, dos planos para o futuro a dois e não é nada fácil encarar isso” afirma a psicóloga Elizabete Bifano.
Uma outra atitude muito importante é viver o luto. Há perdas significativas. “A família perde a convivência constante de todos os seus membros”, escreve Esly no seu livro já citado. “A perda de amigos pode ser uma experiência penosa para o casamento que termina” escreve Medard Laz no seu livro Divórcio, separação. E depois? (Editora Santuário).
Para a psicóloga Elizabete Bifano, do Ministério OIKOS, quando ocorre a separação de um casal, especialmente motivado por um divórcio, é preciso “fazer o enterro” do relacionamento.
Nessa hora, o apoio de outras pessoas é marcante. “O apoio da família e dos amigos é crucial tanto para homens quanto para as mulheres” afirmam Betty Carter e Mônica McGoldrick autoras do livro As mudanças no ciclo de vida familiar (Editora Artmed). Se você tem um conhecido passando pela experiência do divórcio, não o abandone nesta hora. “A maneira como meus amigos me abandonaram, é como se eu tivesse contraído câncer ou lepra em vez de divórcio” disse uma pessoa. “Bons amigos são dons preciosos de Deus”, escrece Esly.
Dê tempo para a cura de sua ferida. Antes de iniciar um novo relacionamento, é preciso ter certeza de que a ferida foi curada. Não corra o risco de levar “o outro” para seu novo relacionamento, pois esse “fantasma” sempre estará entre vocês, impedindo um conhecimento verdadeiro. Perguntar-se: Em que contribuí, ou deixei de contribuir para que meu casamento acabasse? Estou pronto/a para investir energia, tempo e amor num novo relacionamento? Todos os “fantasmas” do casamento acabado e do divórcio estão mortos e enterrados? Estou com minha autoconfiança restaurada, de maneira que posso confiar novamente no amor e no companheirismo de outra pessoa? Deus está manifestando sua direção e aprovação? Estou pronto/a para amar novamente? Meus filhos estão prontos para um novo relacionamento afetivo como esse? Tome todos os cuidados para não acontecer de novo.
Para Medard Laz, após permitir o tempo para proporcionar a cura, é hora da ressurreição para uma nova vida. Esse é o tempo em que a pessoa passou por todas as fases e pode voltar a contemplar o sol, ver que a vida é cheia de cores.
Para Esly, esse período se deu quando ela voltou a usar uma blusa vermelha. Esly escreve: “Comecei a desabrochar em novas cores à medida que a vida despontava seu novo visual. Vestia vermelho, e não negro; verde “cheguei”, e não mais cinza morto. A vida começou a ficar interessante. Cada dia trazia novos desafios, e não simplesmente um novo capítulo de sobrevivência no “Manual da Vida”. Vi que existia vida depois do divórcio”.
Em todas as fases a graça de Deus é possível de ser experimentada.
O mesmo Deus que odeia o divórcio, jamais abandonará e deixará de estar presente na vida de uma pessoa que experimenta ou experimentou o divórcio. Embora para muitos (pode-se incluir algumas igrejas) seja difícil fazer essa separação, Deus não tem nenhuma dificuldade neste sentido. Ele ama o divorciado da mesma maneira que ama o solteiro, a viúva e aqueles que são casados.
Creia nisso!

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