Homens para este tempo


 24 de abril de 2015
hm
Conta-se que um certo pastor foi visitar uma nova família que estava chegando para a sua comunidade. A mãe e as crianças estavam em casa, mas o pai tinha saído. O pastor disse que visitaria mais tarde, mas as crianças disseram: “Espere um pouquinho. Papai logo estará em casa”. Então, as crianças começaram a falar animadamente sobre seu pai e as coisas que ele fazia. Logo o pai chegou. O pastor se surpreendeu. Da conversa das crianças, ele esperava encontrar um homem grande, vistoso, bem vestido, quem sabe com um belo terno, gravata e uma pasta de executivo nas mãos. Em vez disto, ele viu um homem médio, de aparência comum, uma pessoa a quem você não olharia duas vezes, se encontrasse na rua. Mas, uma coisa o pastor percebeu: aquele homem de aparência frágil tinha o respeito e a admiração de sua família.

Até bem pouco tempo era comum ouvirmos a expressão: “Fulano, é um homem de família”. Expressões como esta denotavam que aquela pessoa dedicava tempo e atenção à sua família. Hoje, com o advento do pós-modernismo, estamos vivendo um tempo em que já não ouvimos expressões de reconhecimento de homens que devotam tempo e atenção às suas respectivas esposas e filhos.
Em agosto, comemoramos o Dia dos Pais. A Associação Comercial do Rio de Janeiro, no seu levantamento anual de vendas realizadas em épocas especiais, como Natal, Dia das Mães, das Crianças, etc., informou que as vendas relativas ao Dia dos Pais não constava entre as primeiras colocadas. Embora seja um dado na área comercial, é significante fazer uma pergunta: Por que esse dia não é tão valorizado, como acontece nos Dia das Mães, por exemplo? Um outro fato interessante: Passe em frente a uma penitenciária, num dia de visita. Só vemos ali esposas e mães, embora a maioria dos presos seja ainda jovem e, possivelmente, com pais biológicos vivos. Onde estão eles? Em nossas igrejas, algo interessante também acontece: compare as comemorações do Dia das Mães com a do Dia dos Pais. Geralmente, o Dia das Mães é marcado com uma cerimônia muito mais charmosa do que o Dia dos Pais. Qual será o motivo?
Arriscamos a apontar algumas razões: a primeira, cremos, está no próprio homem. Os homens, esposos e pais, têm se ausentado de suas funções na família. Os homens ainda estão cometendo os mesmos erros do passado. Saem para a caça, e agora também as mulheres, e se preocupam somente em trazer o fruto da caça e se esquecem da importância de dedicar atenção aos seus filhos. Acham que este precioso tempo poderá ser substituído por uma boa casa, carros do ano, presentes, uma boa escola, roupas dos melhores shoppings e viagens à Disney.
A segunda razão está nas próprias mulheres. Elas, sem perceberem, não transferem para os seus maridos, pais dos seus filhos, muitas atribuições que seriam importantes para a boa formação da imagem masculina no lar. As mães precisam compartilhar mais com seus esposos tarefas que muitas vezes fazem sozinhas, como por exemplo, levar um filho ao médico, participar de uma reunião na escola, etc.
Por último, cremos que precisamos, como igrejas e instituições educacionais, ensinar os homens a serem melhores pais. A paternidade é uma função que deve ser ensinada.
Os filhos não querem pais perfeitos. Eles querem pais que sejam bons o bastante.
—- E aí, você acha que os homens estão presentes hoje em suas famílias? Dê sua opinião no espaço abaixo.
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Escrito por: Gilson Bifano
Escritor e preletor na área de casamento e vida familiar.


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