Baleias de Agosto


 18 de fevereiro de 2015
TERCEIRA-IDADE
Relembrar o passado… Continuar a vida…
Duas velhas irmãs, Libby e Sarah, interpretadas por Bette Davis e Lillian Gish, respectivamente, são as protagonistas de “Baleias de Agosto”   (Whales of August, The, 1987, EUA), um filme belo, terno e poético sobre a velhice; para se ver com o coração aberto e perceber que nele contém pequenos segredos como: “Branco para a verdade. Vermelho para a paixão”.
Sistematicamente, Sarah e Libby passam seus verões na casa onde nasceram, à beira-mar, no Estado do Maine, onde relembram um tempo em que, juntas, contemplavam as baleias que emergiam nas águas próximas à sua casa.
Sarah, uma adorável senhora romântica, compassiva e sensível, cuida de sua irmã Libby, mulher intolerante, objetiva e quase cega. Ambas viúvas, têm somente uma a outra. Nessa convivência, precisam superar as diferenças, mágoas e os sentimentos guardados por tantos anos.
A perspectiva com que cada uma via a vida constantemente é percebida no filme, como no momento em que ficam sabendo da morte de uma de suas amigas: “- Hilda era tão jovem!”   Diz Sarah. Ao que Libby imediatamente responde: “- Hilda tinha 83, no mínimo.”   E enquanto Sarah sonha em construir, em sua sala, uma janela panorâmica voltada para o mar, Libby diz: “Somos velhas demais para pensarmos em coisas novas”.
Lembranças do passado, necessidade de atenção, solidão, rejeição de filhos, amizade, preocupação em incomodar e medo da morte são temas ocultos que se revelam em palavras, olhares, comportamentos e na maneira com o que cada personagem vive a própria vida.
O tempo todo “Baleias de Agosto” nos faz refletir sobre a vida e a forma como escolhemos vivê-la. Sim, a forma como vivemos é uma escolha pessoal e intransferível.
Talvez influenciada pela convivência com a irmã, talvez temerosa ao prenúncio da morte, num belo e poético momento Sarah pergunta, ingenuamente, a um amigo:   “- Acha que se pode viver tempo demais? – A vida nunca é longa demais” ele responde.   “- Mesmo quando se vive além da própria época? – A própria época é aquela até o fim.”   E, então, ela escolhe. Mais tarde, naquela mesma noite, Libby ouve o que, provavelmente, nunca esperava ouvir: “Você pode procurar a morte, mas a vida não acabou para mim”. E a realidade se torna mais verdadeira, o tempo mais precioso, a esperança renovada.
O que fazemos com a vida abundante que Jesus prometeu àqueles que confiam n’Ele? Fazemo-la triste e mesquinha ou a tornamos feliz e produtiva.
Pessoas, de todas as idades, têm escolhido uma vida morta. Não são capazes de ver a beleza, a poesia e o amor na vida.
No entanto, nunca se vive tempo demais de modo que não se possa mudar, fazer outra escolha. E, quem sabe, as “Baleias de Agosto” possam voltar a emergir…
Porque o corpo, a pele, os olhos envelhecem, mas a beleza do que os olhos contemplam, não.
Veja! Vale a pena.
Quem escreveu:

Psicóloga Elizabete Bifano.

Psicóloga e membro do Ministério OIKOS.

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